
O quarteto sobrevivente dos losties, mais uma Claire perturbada, é o que temos dos passageiros do voo 815. Enquanto um misto de sentimentos contraditórios faz o episódio ser especial por significar praticamente a despedida da rotina semanal de baixar/legendar/gravar/assistir/internet, tento abstrair das inconsistências do roteiro para aproveitar o fim de uma série que sem dúvida marcou época. Mas poderia ser bem melhor, ah se poderia.
É praticamente impossível não sentir o peso imposto aos personagens já mais do que testados e torturados naquela Ilha onde não escolheram estar. E ouvir Jacob filhinho da mamãe falar em escolha é tão patético quanto revoltante. É como o vampiro Lestat (Entrevista com o Vampiro), que oferece a oportunidade de escolha que nunca teve. Logo após furar a jugular da vítima...

Ser criado pela dona Maria Louca e passar a vida na barra da saia da mamãe tendo uma personalidade fraca, no entanto, tornaram as atitudes e posturas de Jacob menos incoerentes, pois agora está claro que ele não é onipresente, onipotente e onisciente. Mal sabe o que faz lá e deve ter ficado feliz de passar para outro otário o cargo de zelador da Ilha. Mas a pergunta que não cala: quem tomava conta da lojinha enquanto ele passeava pelo mundo? Ah, deixa prá lá...joga pro cesto de pergntas eternamente sem respostas que Carton Cuse e Damon Lindelof nos deixam de lembrança de Lost.
E para não transbordar o cesto resolveram responder por que Ben foi lá no quartinho mexer na água suja para soltar o monstro. Era mentirinha. Engraçado ele dizer isto para Richard, como se não tivesse sido o próprio que o "assessorava" nos assuntos da Ilha iluminada! Vão dizer que não é sacanagem pegarem pontos cruciais para teorias e resolverem assim: era mentira...
A falta de consistência dos caras em arrematar a estória se resume em uma resposta do marido, ontem, quando eu disse que não lembrava do tal bambuzal que esconde a gruta. Ele retrucou irritado: Claro que você não lembra, acabaram de inventar isto...
Mas no geral, ainda há empatia, há envolvimento com o destino daqueles coitados. E acho, agora, no calor da ansiedade por coerência, que quem está mantendo o carisma de Lost são os atores. Eles foram peças chave no carinho que temos pelos personagens e continuam nos fazendo torcer e se emocionar com o que acontece na Ilha.
Não vou me alongar muito sobre a conversa na fogueira. Só questiono por que ninguém pulou no pescoço de Jacob e socou a cara dele com gosto. E por que não perguntaram o que era o "coração da Ilha". Sei que é energia eletromagnética, mas ninguém quer saber como isto acabaria com o mundo?
Tem a realidade paralela. Sei lá como vai terminar aquilo. Apesar de mostrar um destino legal para todos, acho que não é justo acabar tudo nela. Seria um final feliz, sim. Mas parece uma resolução tão simples e fraca. No entanto ver aquela existência ser apagada também parece sacanagem. Como sairão desta sem incoerência? Difícil.
Pois é. Ta acabando. Falta pouco e apesar da decepção que sinto em relação a alguns aspectos, especialmente acerca da inconsistência na amarração de pontas, é impossível não ficar com nó na garganta ao falar do fim de Lost. A série tem muitos méritos sem dúvida. Muitos bons momentos. E deixa um grande legado ao entretenimento e à cultura pop.
Además
- Sinceramente, alguém consegue se interessar pela ferida do Jack? Nesta altura, com tantas perguntas sem resposta porque não eram "relevantes" para os gênios criativos, cabe ainda outra que corre o risco de ser jogada naquele cesto que já falei lá em cima?

- Sim. Ben. Benjamin Linus de volta às origens foi bom. Se vingou de Widmore e viu sem se abalar Richard sendo engolido pelo monstro de fumaça. Aliás, parece um desespero para se livrar de personagens na última hora.

- Kate não está na lista porque é mãe. Ah, pensei que é porque tinha se tornado a vadia da Ilha. (Brincadeira). E Ana Lucia policial corrupta que ainda "não está pronta" para descobrir que em outra realidade caiu numa Ilha e morreu assassinada - Desmond paralelo pode ser mais estranho?
Hoje acho que não escapo das pedradas...