Lost S05E10 - He´s our you

Pode a compaixão salvar uma alma? Para Sayid não.
Ainda consternada pela chocante visão do tiro à queima roupa em um garoto desprezado, só e espancado pelo pai, a única questão que vale realmente a pena ser debatida sobre este episódio na minha idealista visão de vida é a ação fria do iraquiano perante o jovem Ben.
Acho que os roteiristas nos deram neste incômodo He`s our You a chance de meditarmos se os fins justificam os meios. Saindo fora da discussão sobre inevitabilidade do destino - que me deixa bem depressiva na verdade - o que fica é uma questão que vi ser pouco abordada pelos fãs nos debates: qual o direito de Sayid de tirar a vida de um garoto tão sofrido antes de que ele cometesse seus crimes. Sem sensibilidade para cogitar a possibilidade de ser uma influência positiva na vida de Ben, o assassino preferiu o caminho mais fácil. O que um pouco de compreensão e aceitação não teriam feito na formação do caráter de Benjamin Linus...que agora me parece muito mais vítima do que Sayid.
Fico um pouco decepcionada que este debate ideológico e ético não esteja sendo abordado com tanta ênfase. Adoro quando filmes me proporcionam a chance de questionar idéias, de pensar sobre minha própria vida. Benjamin Button, por exemplo foi parar na mesa de almoço de domingo da minha família: com três gerações reunidas, discutimos a profundidade da mensagem, a riqueza de possibilidades sobre a natureza humana. O debate acabou com a sentença da matriarca, minha avó. Quando questionei a ela se não prefiria ter a sabedoria de 83 anos com o corpo de 20, ela foi categórica: de 40 já tava bom demais!
Acho esta riqueza de levar a mensagem do que nos diverte adiante o grande papel da sétima arte. Foi assim também quando assisti Marley. Saí do cinema soluçando e pensando que preciso entender o ciclo da vida de meus cães. O questionamento estendeu-se à terapia e tem me rendido muito o que pensar.
Nesta ótica, o episódio foi muito profundo, questionador.
Mas foi só.
Logo de cara me aborreci com a matança da galinha. Exagerada xiita vegetariana? pode ser. Mas não gosto quando usam animais para bode espiatório da narrativa. (Parei de assistir Damages no 1º capítulo quando mataram o cão - achei um clichê desnecessário e de péssimo gosto). Serviu apenas para reafirmar o que todos sabiam: o iraquiano é um matador nato. Se o assassinato cometido por Mister Eko quando criança tinha como alvo a urgência necessidade de salvar seu irmão, a ação de Sayid foi apenas um ato de reafirmação diante do pai. Não, não sou especista mesmo.
No mais, a enrolação que repetiu toda a descrição psicológica de Sayid sobrou. Principalmente se levarmos em conta que a série tem apenas 24 episódios inéditos até o final. E não entendi a causa de tanta raiva dele por Ben. Sayid se deixou manipular porque tem sede de sangue, só isso. Nada que justificasse a carga dramática da relação entre os dois, enfocada nos primeiros episódios da temporada.
Também estou aborreciada com a chateação da Dharma: a descrição da sociedade alternativa dos hippies já deu. A única coisa que nos resta saber é sobre a estação Cisne. O resto, passa a régua.
O elenco da Dharma não funciona, não tem carisma. O único personagem interessante é o Dr. Marvin Candle (é este o nome mesmo?) que apareceu pouquíssimo.
Outra coisa, o intérprete de Radzinsk esta exagerado, caricato demais. A estética é toda muito feia: o cabelo do James tá horrível, aqueles macacões que parecem saco de estopa ou de batata são terríveis (eu sei que Lost não é desfile de moda), aquelas barbas nojentas, enfim é tudo muito feio, sem charme.
E o mais importante: estamos perdendo tempo com algo que no meu ver agora não tem tanta importância como a mitologia da Ilha. A Dharma foi só uma chuva passageira na Ilha. Já foi dito que eles pouco entendiam do real potencial do local. Enfim, não vejo a hora da purgação ocorrer. (parece contraditório para alguém que parágrafos acima estava falando tão a favor da vida, mas o que quero dizer é que parem já de explorar o tema e nos contem o que realmente interessa).
Sinto falta da interação dos personagens que realmente gostamos: dos conflitos de Jack com James - que tá perdendo o charme ao tentar se tornar sério - do polígono amoroso, de Locke, Sun, Desmond, Richard, da briga entre Ben e Widmore, Bernard, Rose e Vincent, claro. Até Faraday, Lapidus e Milles, que entraram só no ano passado, mas tiveram muito mais química com a série que estes chatos integrantes da Dharma.
Claro que não vou deixar a série. Lost, assim como o Corinthians, tá no sangue, hahahahaha. Mas se o enfoque permanecer este, vou torcer para a sexta temporada começar rapidinho porque sinceramente: quero minha série de volta.

E hoje, meu único destaque é para o garoto Sterling Beaumon, o jovem Ben. Neto de um grande ator dos anos 30, Martim Beaumon, o garoto tem potencial para ser mesmo um futuro Michael Emerson.