Primeiro, desabafo:
Blogo por prazer de falar sobre algo que me encanta. Porque é legal trocar idéias sobre Lost, conjecturar sobre os mistérios e analisar o desenvolvimento psicológico dos personagens. Antes, a primeira coisa que eu fazia após o episódio era correr para a net para ver se alguém tinha entendido algo diferente na trama, se tinham percebido detalhes que perdi. Hoje, sinceramente, entrar nos blogs e fóruns, em sua maioria, virou um saco, com o perdão do termo.
No geral, perdeu-se a essência do debate em torno de teorias, detalhes, personagens. O que se lê são críticas desconfortantes para quem tem na série um grande prazer para aliviar o estresse do dia a dia, do trabalho, do mundo real. De repente, formou-se um oceano de críticos de tv. Onde estudaram não sei. Onde se aprofundaram em técnicas, muito menos. Talvez seja reflexo de que minha idade não acompanha a onda ranheta da geração que inundou a net de sites de séries, mas sinceramente, depois de ontem, quando curti o episódio e vim cumprir meu ritual, passo a contar nos dedos de uma mão, onde passarei para ler sobre Lost.
Não se trata de desrespeitar opiniões. É que simplesmente, não tenho paciência para os impacientes. Os palhacinhos já abandonei há tempos.
Não confundam senso crítico com intolerância e ranzinzisse. Não percam tempo com o que desagrada. Não se apeguem em despropósitos.
Pena que esta força detonadora da blogosfera – não falo só do blogueiro, mas dos internautas interagentes, não seja usada para meter a boca nos políticos, nos preconceitos, nas vulgaridades, na falta de valores, etc.
Dito o que estava engasgando, vamos ao que interessa. Para quem sabe curtir.

O que Kate faz todos sabemos. O que este episódio mostrou foi uma Kate percebendo exatamente que esta redundância de personalidade que não a levou a lugar algum. Enquanto em 2004, ela mantém a postura, o que nos mostra que talvez seja um caminho que ela percorrerá novamente, na Ilha, a fugitiva sente que perdeu James, a quem talvez nunca tenha tido.
O questionamento de Jin: e você, Kate, com quem se importa? foi a pergunta que sempre soou em qualquer atitude dela. Voltando para Jack, voltando para James, Kate fugia dela mesma. E nesta, além de ganhar desafetos e magoar muitos, perdeu a oportunidade de ter paz.
Ficou claro o fim de qualquer possibilidade de um relacionamento com James. Não é apenas pela minha amiga Jate querida, a Lilica, mas realmente, acredito que Kate tem no amor de Jack a redenção. Como Juliet foi para James, Jack representa valores que a fugitiva precisa vivenciar.

E se tratando de perdas, ganhos e redenção, James sofre como nem ele imaginava a perda de Juliet. Foi tocante a atuação de Josh, assim como a conversa dele com Kate. Ali mais do que nunca, foi o ponto final. Um ponto repleto de remorso, culpa, arrependimento. Das duas partes. Foi uma bela cena, daquelas que faz Lost ser um drama de personagens, além de uma série revolucionária. Ainda bem.

Na realidade paralela, Kate e Claire se conectam. Surge uma empatia, apesar do começo turbulento com seqüestro e tudo. Seria sinal de que todos eles se cruzarão? Todos estão destinados a se relacionarem? Onde as variáveis os levarão? Cometerão os mesmos erros e se encontrarão repletos de culpas dali três anos como acontece com Kate?
Quem também padece de culpa é Jack. Voltando a aparentemente se proteger pelo riso irônico, o médico parece arrependido do salto de fé. E caminha para realizar ações sem saber como medir as consequências. Você confiaria nos moradores do Templo? Difícil.

E falando em Outros, o novo líder apresentado a nós nesta temporada: Dogen, interpretado por um ator que gosto muito,Hiroyuki Sanada, de O Último Imperador, aparenta ser um personagem importante. Se tem boas ou má intenções, não sei. Mas tem carisma, teve equilíbrio ao compor o personagem e promete render bem.
Ainda tivemos reintroduções de mistérios: a infecção e o desaparecimento de Claire. Mas sobre isto, o Paulo vai falar depois. O que ficou claro é que estão construindo o caminho para a linha de chegada. E é muito bom ter certeza disto. No mais, falem o que quiser, Lost é muito bom e vai fazer falta ano que vem.