
O bem e o mal são relativos. Pelo menos, em algumas situações. Sayid é o mais completo exemplo de que boas intenções não valem sempre. No fim, depende do ângulo, a vista da paisagem. E enquanto Jacob e Locke Vader disputam seu jogo de xadrez, as vidas de todos os infelizes que cruzam seus caminhos podem ser modificadas para sempre - ou estragadas.
Do meu ângulo, Jacob é um manipulador hipócrita de fala mansa. Não consigo evitar de quase sempre torcer para o vilão. E neste embate, embora saiba de que tanto o lado negro, quanto o branco, têm interesses comuns pessoais e não tem quem ali vale uma vela, vibrei com a vitória parcial do Vader carismático levando para o seu lado boa parte do bando de ovelhas de "livre arbítrio" de Jacob. E não ficarei surpresa se, no fim, descobrirmos que tudo não passou de uma aposta de um dólar entre dois excêntricos, como no filme Trading Places (Trocando as Bolas) - onde os irmãos Duke bagunçam as vidas de Eddie Murphy e Dan Aykroyd.

Claro que estou fadada a me decepcionar no fim. Locke Vader vai se dar mal. Mas espero que não exista um triunfo total de um dos lados dando uma lição de moral na audiência. Não precisamos disto. E não acredito termos um fim tão simplista assim. Mas esperemos...
Voltando da divagação: Sayid tem mesmo uma queda para atirar e matar pessoas. E isto não o faz diferente de ninguém lá, nem de Dogen - que espero que ressuscite pois é um ótimo personagem - porque matar é parte da vida dos Outros, dos Losties e de qualquer um que ingresse na série. E se o lado do mal o dominou, pode ser apenas do ponto de vista dos Outros.
O que vale é que o episódio chegou ao climax de tensão. E conferiu uma atmosfera sombria a Lost, que acho que permanecerá até o fim. Aliás, começamos a sentir a chegada do fim.

Da realidade paralela, tivemos Sayid tentando se redmir das torturas e demais barbáries que comenteu na guerra. Ele é agora consultor da indústria petrolífera, o que não o redime tanto assim, não...continua do lado errado (do meu ponto de vista). Mas se pune fugindo do amor de sua vida, a simpática Nadia, aqui casada com o irmão que não quis matar a galinha. (engraçado, chamam o cara de covarde por isto...ah, deixa pra lá, sou vegetariana, mas não vou ficar pregando direito dos animais aqui. Depois faço um blog só para isto!).
E como já disseram, parece que o universo vai dando um jeitinho de repetir experiências e temos Sayid matando novamente e, de quebra, salvando Jin das mãos dos mercenários de Keamy, que, desconfio, devem trabalhar para sr. Paik e Widmore.

Por fim, acho que uma cena resume o espírito desta temporada e de tudo o que aconteceu com os losties na série. A conversa entre Dogen e Sayid mostra que ambos são, de certa forma, vítimas da mesma situação. Têm suas vidas modificadas por uma chantagem. Embora estejam de lados opostos, padecem do mesmo destino: são manipulados e embora a livre escolha exista na prática, quem é que abriria mão da vida de quem ama? Alguém aí?